Entre a humilhação de João Bosco e a “militância de toga” quem ficou sem receber os salários foram os servidores

joao-bosco-bitencourtEste texto não se trata da defesa de João Bosco, ele cometeu erros da articulação política até o administrativo. Teve contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios – TCM, deixou a base que lhe deu a vitória se fragmentar… Já está pagando pelos erros, entra para a história como o primeiro prefeito que não se reelegeu em Teixeira de Freitas.

Agora, com a decisão de bloqueio das contas do município, Bosco é humilhado. Vai carregar a pecha de ser mais um prefeito que não pagou os salários dos servidores, pois nos debates vindouros sobre política, ninguém vai recordar que foi uma decisão judicial que suspendeu indiscriminadamente todos os pagamentos da prefeitura e não apenas (como a nosso ver deveria ser) os que estavam sob questionamento.

Em outro momento histórico isso poderia ser entendido de outra forma, como estamos vivenciando o que muitos blogueiros chamam de “a militância de toga”, ou seja, quando o judiciário toma parte na disputa política criando imbróglios jurídicos para interferir no mundo político, isso passa a ser uma forma vil de fazer política. Tendo em vista que os prejudicados de fato são as/os servidores(as), enquanto a humilhação dada a Bosco é puramente simbólica.

Falando em simbolismo, o momento não poderia ser pior, final de ano, final de mandato, e quem vai passar a virada a ver navios serão os servidores municipais que não tem nada com os supostos desvios do erário praticado pela administração.

É aí que surge a pergunta: será que o judiciário criaria uma situação destas que interferisse nos salários de juízes? A resposta nos parece obvia, claro que não!

Se o governo errou quem deveria ser punido era o prefeito e seus secretários, que são os agentes políticos incumbidos da administração publica, no entanto a decisão puni os servidores de carreira que não tem nada com os eventuais desvios do prefeito.

A Águia de Haia ainda tem razão “o poder que mais falta a nação é o judiciário”, pois lhe falta, ‘endurecer sem perder a ternura’. São milhares de mulheres e homens trabalhadoras(es) que estão neste momento sem seus salários.

Veja o abaixo a decisão do juiz e a defesa de Bosco.

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23 mulheres inspiradoras que tornaram 2016 um ano melhor. Por Nathali Macedo

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Publicado originalmente no DCM

Listar as mulheres que mais me inspiraram em 2016 é a escolha mais difícil com a qual tive que lidar desde que precisei escolher uma profissão.

É impossível listar todas – logo, é preciso escolher.

Este foi o ano que me deixou atônita, como se mulheres incríveis brotassem consecutivamente em todos os lugares – na música, na internet, no jornalismo, no cinema, na política, nas escolas, nos realitys de culinária.

Se não fosse de um prazer orgástico, teria sido difícil acompanhar todas.

Portanto, por mais acusações (justas) que pesem contra 2016, ninguém pode lhe negar esse mérito: nós conhecemos mulheres fantásticas. As palavras mulher e poder estiveram juntas algumas vezes, e as palavras mulher e força estiveram juntas sempre.

Essa lista deveria ser quilométrica (mas ninguém teria paciência pra terminar de ler).

Não fugi à tarefa quase masoquista de listar apenas algumas – em ordem alfabética, porque em ordem de preferência já é demais.

1. Amara Moira – Em plena fogueira que se tornou a discussão em torno da prostituição – até mesmo internamente, no próprio movimento feminista – a escritora e doutoranda transexual Amara Moira lançou o livro “E se eu fosse puta?” em que conta, com uma sinceridade áspera e sob um viés no mínimo pouco visitado – o de que a prostituição deve ser debatida antes de ser demonizada – sua própria história de transição e prostituição. Corajosa, para dizer o mínimo. “E se eu fosse puta” é, aliás, uma leitura mais do que necessária.

2. Ana Júlia Ribeiro – A secundarista que protagonizou o discurso mais bonito e incisivo de 2016 tem só dezesseis anos – mas luta como mulher feita, e eu não poderia deixar de listá-la (se fizesse isso, talvez não conseguisse dormir). A estudante paranaense – que se tornou o rosto das ocupações de 2016 – deu aula de democracia aos deputados da Assembleia Legislativa do Paraná – e ao Brasil. Relembre aqui (https://www.youtube.com/watch?v=oY7DMbZ8B9Y).

3. Anna Muylaert – A cineasta Anna Muylaert é a cabeça por trás do premiado “Que Horas Ela Volta”. Através da história de Val (Regina Casé), e sua filha Jéssica – com a atuação brilhante de Camila Márdila – Anna toca com sensibilidade e precisão em pontos adstringentes – e sobre os quais pesa certa urgência didática – da classe média brasileira. O filme é de 2015, mas a representatividade artística e política de Muylaert é atemporal.

4. Clara Averbuck – A escritora Clara Averbuck dialoga tão bem com esta geração que a sensação que se tem é que ela está – no auge de sua didática impecável – numa conversa amistosa com amigos chegados. Clara é uma das fundadoras do portal Lugar de Mulher e autora do romance “Toureando o Diabo” (além de muitos outros títulos) – não por acaso, a história de uma mulher e suas memórias.

5. Cynara Menezes – Idealizadora do blog Socialista Morena, que, segundo ela mesma, é um espaço virtual de ideias e notícias com viés esquerdista. Mas também de literatura, música, cinema, HQ, humor, viagens.

A jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia já transitou por diversos veículos midiáticos, como Jornal da Bahia: Folha de S.Paulo, Estadão, revistas IstoÉ/Senhor, Veja, Vip e Carta Capital, e é atualmente colunista da revista Caros Amigos e do próprio blog: http://www.socialistamorena.com.br

6. Dilma Rousseff – Talvez o mérito mais notório da Presidenta Legítima – porquanto eleita democraticamente – seja o de não ter se acovardado em momento algum, mesmo pressionada e perseguida – diferente do que fizeram os golpistas. A honestidade de Dilma, em um país em que existem Geddel, Michel Temer e Eduardo Cunha (para ser sucinta nos exemplos), é digna de um prêmio. O Financial Times sabe disso, por isso premiou-a merecidamente como uma das mulheres do ano de 2016, ao lado de Beyoncè e Hilary Clinton. O Brasil lhe deve, além de um pedido de desculpas, todo respeito e admiração.

7. Djamilla Ribeiro – Filósofa, ela é uma das grandes representantes do feminismo negro da atualidade. É feminista, pesquisadora na área de Filosofia Política, colunista da Revista CartaCapital e recentemente foi nomeada secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

8. Elza Soares – O álbum “A Mulher do Fim do Mundo” é do final de 2015, mas, ao menos pra mim, significou o primeiro espanto positivo com o poder feminino em 2016. Além do mais, foi neste ano que Elza ganhou o Grammy Latino como melhor álbum de música popular brasileira (então tá valendo).

Além do presente que são essas músicas, sobretudo para esta geração, Elza foi a personificação da representatividade, engajada em causas como as questões de gênero e raça. “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim” e “A carne mais barata do mercado é a negra” deveriam ser hinos, se é que não já são.

9. Emma Watson – Nem só de Hermione Granger vive Emma Watson. Além de atriz talentosíssima – ela ganhou nada menos que vinte e um prêmios durante sua carreira – Emma é Embaixadora da Boa Vontade da ONU para Mulheres, ativista feminista e agora professora da Universidade de Harvard. Como se não bastasse, recusou o espartilho no filme “A bela e a fera” – uma escolha no mínimo simbólica no que diz respeito ao enfrentamento à ditadura da beleza – e distribuiu livros feministas com dedicatória no metrô de Londres. Tradução literal do que eu quero ser quando crescer.

10. Fernanda Gentil – A talentosa apresentadora Fernanda Gentil merece o troféu quebradora de paradigmas 2016. Primeiro, respondeu com serenidade e elegância às críticas infundadas sobre o seu corpo. Depois, assumiu seu namoro com a também jornalista Priscila Montandon, resistindo invicta à onda de ataques lesbofóbicos dos quais foi vítima na internet e fora dela.

11. Gleisi Hoffmann – A senadora Gleisi Hoffmann usou seu talento oratório e seu engajamento sagaz em prol da democracia e do Brasil. Foi uma das mais combativas ao golpe no Senado. Clara e firme em seus argumentos, fez com que Cristovam Buarque confessasse – não que todos já não soubessem – a principal motivação do golpe: Os golpistas não ganhariam nas urnas.

12. Jandira Ferghali – Impossível esquecer a cena de Flávio Bolsonaro fingindo desmaio no debate da Band, após ser confrontado incansavelmente por sua oponente Jandira Ferghali. Jandira é uma daquelas mulheres de grelo duro que desmascaram – não que esta seja uma tarefa tão difícil assim – a covardia de certos homens (sexo forte?) da política brasileira. Como sendo, além de combativa, generosa e humana, Jandira – que também é médica – tentou socorrer Flávio durante o patético episódio, mas foi impedida pela falta de bom-senso de Jair Bolsonaro.

Engajada em causas sociais, é autora da Lei Complementar que cria a Contribuição Social sobre Grandes Fortunas – que claramente seria uma solução possível para o Brasil, acaso Michel Temer não houvesse, em vez disso, optado pelo congelamento de gastos por vinte anos.

13. Letícia Sabatella – Quando penso em Letícia Sabatella, me vem, primeiro, a imagem dela interpretando “Geni e o Zepelim” (e o arrepio que me dá todas as vezes em que assisto). Depois, a imagem de uma mulher serena, de tão segura – o cruzamento exato entre doçura, coragem e altruísmo. Como se não bastasse tudo o que Letícia sempre foi – talentosa, autêntica e politicamente engajada – ela preparou o elenco da peça “Haiti somos nós”. Atenção para a curva dramática: O elenco era formado por haitianos refugiados em São Paulo.

14. Lola Aronovich – Lola Aronovich é uma das mais antigas blogueiras feministas de que se tem notícias. Ela é professora da UFC, doutora em Literatura em Língua Inglesa pela UFSC e escreve desde 2008 em seu Blog “Escreva, Lola, Escreva” (http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/) sobre cinema, literatura, política, mídia, e, segundo ela própria, sobre o que mais lhe der na telha, mas também e principalmente sobre feminismo. Em 2016, foi alvo de ameaças de morte por parte de “defensores dos direitos dos homens” – sim, você leu certo – que tentaram, em vão, silenciá-la.

15. Luiza Erudina – Idade tem a ver com alma, dizem, e, se é assim, Erudina não tem os 82 anos que constam em sua carteira de identidade: O vigor é de vinte e poucos. Nenhuma retrospectiva 2016 que se preze pode esquecer dela sentando na cadeira de Eduardo Cunha – o gângster – pra impedir que o então Deputado atropelasse, não por acaso, uma votação de criação de comissões da Mulher, do Idoso, da Criança e do Adolescente, da Juventude e Minorias. Quero chegar aos 82 como ela: repetindo a plenos pulmões que “não queremos que nossas questões sejam decididas por homens”.

16. Madonna – Madonna é muito mais do que a rainha do pop: É uma figura emblemática e representativa, estética e politicamente. Ao aceitar o prêmio merecido de Mulher do Ano, ao invés de limitar-se a agradecer, falou sobre sexismo, misoginia e sua história de luta contra o abuso e a LGBTfobia.

17. Manuela D’ávila – A deputada Manuela D’ávila tem se tornado um ícone feminista na política brasileira. Ela levanta as bandeiras da diversidade sexual e do combate ao machismo – tendo criado uma cartilha que esclarece a questão dos relacionamentos abusivos – enquanto exerce o seu direito de amamentar a filha, a pequena Laura, inclusive em plenária.

18. Marcia Tiburi – Graduada em filosofia e artes, mestre e doutora em filosofia (UFRGS, 1999) e colunista da Revista Cult, Marcia publicou diversos livros de filosofia, dentre eles “Como conversar com um fascista”, sucesso de público e crítica. Ela ofereceu análises lúcidas e didáticas sobre os diversos acontecimentos políticos – quais acontecimentos, afinal, não são políticos? – do país em 2016.

19. MC Carol – Contrariando o elitismo intelectual de quem afirma que “funk não é cultura”, MC Carol nunca precisou abaixar a cabeça para os padrões da chamada boa música brasileira. Negra, gorda e periférica, ela é a própria personificação da representatividade das minorias. A funkeira, que, além dos padrões musicais, quebra também padrões estéticos e, porque não dizer, políticos, compôs a música “Delação”, um retrato cru e brasileiríssimo do cenário político do país.

20. Nana Queiroz – Diretora de redação da revista AzMina – uma das revistas feministas que mais se destacaram em 2016 e finalista do prêmio “Troféu Mulher IMPRENSA”, é autora do livro “Presos Que Menstruam”, uma narrativa tocante e urgente sobre as encarceradas brasileiras.

21. Rafaela Silva – O Brasil não esquecerá – a menos que seja muito ingrato – o nome da judoca Rafaela Silva, que trouxe o primeiro ouro para o Brasil nas Olimpíadas Rio 2016. Negra e pobre, Rafaela foi beneficiada pelo programa Bolsa Pódio, criado em 2011, durante o governo Dilma. O incentivo, somado ao talento e à perseverança inesgotáveis de Rafaela, tornaram-na exemplo de atleta e – como não deixaria de ser – de mulher.

22. Vanessa Graziottin – Ao lado de Gleisi, a também senadora Vanessa Graziottin teve um papel crucial no embate entre defensores da democracia e defensores do golpe no Senado. Em razão de sua postura, ela foi atacada e silenciada pelo também Senador Renan Calheiros – tendo respondido sempre à altura. Foi ela, também, quem inquiriu Janaína Paschoal – que deveria estar na lista de mulheres “desinspiradoras” de 2016 – levando-a a confessar ter recebido 45 mil reais do PSDB pela petição do golpe. Ver mulheres como Vanessa e Gleisi no Senado renova nossas esperanças de mais mulheres – em quantidade e qualidade – ocupando os lugares de poder no Brasil.

23. Viola Davis – A atriz Viola Davis é a primeira negra a ganhar o Emmy, mas isso não é tudo: Ao receber o prêmio, a protagonista de How to get away with murder fez um discurso inesquecível e com força política inquestionável: “Deixem-me dizer algo: a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem”.

Sobre a Autora

Colunista, autora do livro “As Mulheres que Possuo”, feminista, poetisa, aspirante a advogada e editora do portal Ingênua. Canta blues nas horas vagas.

A resposta de Molar: ameaças e palavras…

jonathanGarantindo o direito de reposta que este blog faz questão de assegurar a todos, que por acaso não concordem com as opiniões aqui veiculadas. Estamos reproduzindo a resposta do vereador eleito Jonathan Molar, da sua pagina do Face, pois uma pessoa reproduziu a resposta neste espaço.

Entretanto, não poderíamos fazer, sem problematizar, uma vez que a informação do post: Caso de corrupção no novo legislativo de Teixeira de Freitas. Não se trata de ilações, pelo contrario, a informação está no “currículo lattes”, e é de domínio publico. Se um doutor, homem publico, não mantem suas informações publicas atualizadas, o que será da transparência publica?

Além do mais, ameaçar de judicializar um blog sem fins lucrativos, de hospedagem gratuita,  é um tanto demasiado, deveria apenas apresentar o oficio de sua renúncia a tal “DE”, até porque ele também é um documento publico.

Uma vez não apresentando o oficio de imediato, agora sim, muitas pessoas poderão criar a convicção de que no dia que ele aparecer, pode ter sido elaborado em circunstâncias “informais”.

Primeiro caso de corrupção no novo legislativo de Teixeira de Freitas

j1A nova legislatura ainda não começou formalmente, mas com a diplomação dos “nobres” edis  já se tem uma ideia de como será o pleito, o ditado popular diz o seguinte: “pela carruagem se sabe o que vem dentro”. Os correligionários de Jonathan Molar vão falar que não passa de intriga da oposição, entretanto, o buraco é mais embaixo.

Nossa equipe de reportagem pesquisando o Currículo Lattes do professor e vereador eleito se deparou com um fato inusitado, ele tem Dedicação Exclusiva na UNEB. Que significa? Ele não pode ter outro cargo publico, pois seu salário tem uma gratificação que eleva seus rendimentos, nem pode ter empresa em seu nome, por está em tal função.

Ainda cabe outra pergunta: por que um professor que ganha mais com a cátedra, abriria mão para receber um salário menor?

O currículo lattes é de domínio publico, o do professor Jonathan Molar pode ser acessado através do seguinte link: http://lattes.cnpq.br/1933342003926854

A questão do acumulo de cargos por professores com Dedicação Exclusiva em 2015 foi detectada pelo governo estadual, que obrigou cerca de 150 professores a devolverem juntos algo em torno de 11 milhões ao erário publico, como foi amplamente divulgado: Com acúmulo ilegal de funções, 164 professores podem devolver R$ 11 mi

Em suma, ser popularmente DE e acumular outro cargo é corrupção, além de evidenciar a ética dos professores que o fazem.

FHC o cínico, agora quer beijar a mão de Lula

images-cms-image-000528433Publicado originalmente no Brasil 247.

Depois de articular o golpe de 2016, que instalou no poder a “pinguela” Michel Temer, num projeto que arruinou a democracia e quebrou a economia brasileira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso agora pega o diálogo; segundo ele, a crise atual é mais grave do que a de 1964 e é preciso que as forças políticas se entendam; numa entrevista recente, Lula também pregou diálogo entre os partidos para que o País encontrasse uma saída democrática; será possível algum entendimento?

O golpe de 2016, articulado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, fracassou. O plano inicial previa a derrubada de Dilma Rousseff, o impedimento preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a eventual cassação do registro do PT. Paralelamente, Michel Temer implantaria a chamada “ponte para o futuro”, a confiança retornaria e, em 2018, um tucano seria eleito para a presidência da República.

Oito meses depois do golpe, Lula lidera as pesquisas Datafolha e três presidenciáveis tucanos estão implicados na Lava Jato: José Serra por receber R$ 23 milhões na Suíça, Geraldo Alckmin acusado de ganhar R$ 2 milhões por meio do cunhado e Aécio Neves suspeito de ter despesas pessoais bancadas pelo marqueteiro.

Além disso, a “pinguela” Michel Temer fracassou. A economia brasileira foi ao fundo do poço, em razão do golpe, a imagem do Brasil, cujas elites sabotaram a democracia, foi arruinada.

É nesse contexto que FHC prepara uma guinada. Em entrevista à colunista Sonia Racy, ele sinalizou a intenção de dialogar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois de dizer que a crise atual no Brasil é mais grave do que a de 1964, ele defendeu o entendimento. “É preciso que pessoas de posições diferentes conversem e retorne o bom senso. Mas quando falo em diálogo não é entre os que se entendem. É com os que não querem o diálogo”.

FHC, na realidade, nunca quis o diálogo, enquanto imaginou que o golpe seria um projeto bem-sucedido. Agora que o fracasso é evidente, ele muda de postura. De todo modo, sua posição converge com a do ex-presidente Lula, que recentemente falou à TV turca e pregou o entendimento.

“Eu acho que a melhor solução agora é os partidos políticos discutirem uma PEC, uma emenda constitucional e recuperar o direito do povo escolher o seu presidente da República outra vez pelo voto direto”, disse ele, defendendo o diálogo entre os partidos.