Atitude política de Moro dá razão a Lula, por Kennedy Alencar

Por Pablo Carvalho

Do Jornalista Kennedy Alencar, um dos poucos jornalistas equilibrado da mídia hegemônica.

Previsto para amanhã, em Curitiba, o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz federal Sergio Moro tem sido cercado por luta política. O caso ilustra a confusão de papéis vivida por integrantes do Ministério Público e do Judiciário em relação aos políticos.

Não cabe a um juiz divulgar vídeo nas redes sociais, como fez Moro, dizendo quem deve ou não comparecer a manifestações políticas.

Quando age assim, ele dá razão aos que o criticam por incorporar o papel de líder de um lado – no caso, dos apoiadores da Lava Jato. Juiz não deve ter atuação política, mas ser e parecer imparcial. Um magistrado não pode ser político porque ele tem uma caneta na mão que manda prender e manda soltar. Detém um poder tremendo.

Já o ex-presidente Lula é um político e tem direito de agir como tal. Deve dar explicações à Justiça como qualquer cidadão, mas tem o direito de apontar perseguição política se considerar que isso está acontecendo.

O pedido de adiamento do depoimento faz sentido diante de uma quantidade enorme de novos documentos que foram incluídos no processo. A tese do Ministério Público é que dinheiro de propina da Petrobras irrigou as finanças pessoais de Lula, inclusive no caso do apartamento do Guarujá.

Ora, recentemente, o ministro Gilmar Mendes decidiu que a Polícia Federal não poderia interrogar o senador Aécio Neves apresentando documentos ou provas que ele desconhecesse. No caso de Lula, será difícil a defesa ter ciência de tudo o que consta desses documentos da Petrobras.

Não é boa a imagem em que um juiz aparece como boxeador de uma luta, retrato feito por uma revista semanal a respeito de depoimento de Lula. Quando envereda pela política, Moro enfraquece a Lava Jato e fortalece Lula, que ganha argumentos a favor do seu ponto de vista.

Escute o áudio no link abaixo

Pedido de impedimento de Gilmar Mendes é quase uma declaração de guerra de Janot

Com informações do Tijolaço

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“Data falha” comprova que Moro só faz bem a Lula

Por Pablo Carvalho

Em pesquisa eleitoral publicada hoje, com um cenário que tem 197% de intenção de votos (cenário 4), a “Data Falha” mostra que todos os ataques proferidos contra o presidente Lula, só o fortalece.

Inclusive, nos cenários de segundo turno, em que Lula não está em primeiro, o gráfico mostra ele subindo e o adversário em queda.

Outro fator que chama atenção, é o PSDB perder espaço para o candidato fascista Jair Bolsonaro, que agora briga pelo segundo lugar com Marina Silva. O prêmio de consolação dos tucanos, pelo apoio ao golpe, ao que tudo indica é ficar de fora do segundo turno.

Como alguns “taradinhos” da “Falha” fez muito alarde desta pesquisa no decorrer da semana, muitos (iguais a nós) pensaram que ela poderia trazer informações diferentes das demais pesquisas, ledo engano nosso, nem a “Data Falha” com o erro gigantesco no cenário 4, pode desmentir o que é notório, o povo mais humilde que são a maioria do Brasil, quer Lula de novo!

Matéria completa da “Falha” de São Paulo

 

Faça os cálculos deste cenário, alias, a “Falha” já tirou.

Com informações do Tijolaço

(Vídeo) Entrevista completa de Lula a Kennedy

Por Pablo Carvalho

O jornalista Kennedy Alencar entrevistou nesta quarta-feira (26) o ex-presidente Lula. Diversos temas foram abordados, como a Operação Lava Jato, uma possível candidatura à Presidência da República em 2018, o juiz Sérgio Moro, as reformas da Previdência e trabalhista, o triplex em Guarujá, o sítio em Atibaia, e o atual cenário político e econômico.

Com informações do Blog do Kennedy

Moro arrega e adia depoimento de Lula

Por Pablo Carvalho

Hoje, na Folha:

O juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato em Curitiba, decidiu mudar a data do depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até então previsto para o dia 3 de maio.

Segundo a Folha apurou, a mudança ocorrerá a pedido da Polícia Federal. Moro deve adiar o depoimento de Lula para o dia 10 de maio.

A PF argumentou que precisaria de mais tempo para organizar a segurança no local e que o feriado do dia do Trabalho, 1 de maio, dificultaria ainda mais a operação.

O PT e movimentos alinhados ao partido preparavam forte mobilização para apoiar o ex-presidente. Caravanas estavam partindo de diversos pontos do país.

Duvido que seja este o motivo. O esquema de segurança teve quase dois meses para ser organizado. É mais provável que seja algo relacionado ao “timing” de Moro.

Do Tijolaço

Lula não tinha “relação de estadista” com a Odebrecht

Por Pablo Carvalho

Este Blog continua sendo um espaço antagônico a “Lava Jato”, por entender que essa força tarefa tem objetivos políticos que não cabem ao judiciário, como por exemplo: destruir o PT e prender Lula, sem haver crime.

Dito isso, entendemos que na relação de Lula com a Odebrecht, o ex presidente não se comportou como estadista que seu histórico e sue futuro necessitam, Lula ainda merece ser presidente em 2018, mas não pode mais ter esse tipo de “amizade”.

Lula: não há crime, mas prejuízo político é imenso. Por Gustavo Castañon

Do Tijolaço

Ouvi a delação do Marcelo Odebrecht e li a dos outros delatores sobre Lula. O que existe são duas acusações diferentes: gestão de caixa dois e tráfico de influência. Como tudo é complexo, se eu cometer erros nas descrições peço que me corrijam. Vamos procurar esclarecer as coisas tão complicadas.

Sobre os fatos:

1) Marcelo disse que havia sobra de recursos do caixa dois da campanha do PT de 2010. Que com esse dinheiro fez um fundo, e nele reservou quarenta milhões para serem usados a pedido de Lula. Disse que quem administrava esse fundo era Palocci e que Lula nunca falou com ele sobre isso;
2) Marcelo disse que Lula nunca usou nada para ele, a única alegação mais próxima disso seria a compra de um terreno para ser sede do Instituto Lula a pedido de Paulo Okamoto que depois foi revertido pela Odebrecht por desistência do próprio Okamoto;
3) Disse que Palocci solicitou alguma coisa desse dinheiro, que foi entregue a seu assessor em dinheiro vivo (dinheiro de fundo fantasma em moeda corrente), mas que não sabe para que destino;
4) Alguns favores teriam sido prestados pela Odebrecht a pedido de Lula (ou de sua mulher), basicamente a reforma no sítio que frequentava (e não é dele), uma reunião com seu filho para discutir um investimento na criação de uma liga de futebol americano nacional e uma suposta renda mensal a seu irmão mais velho que, segundo o prório delator, Alexandrino Alencar, pagava em consultoria sobre problemas sindicais (ie irrisória, inicialmente R$ 3 mil e, após, R$ 5 mil)
5) Outra alegação é a de pedido para a Odebrecht participar da construção da Arena Corinthians e intermediação para Fernando Haddad ajudar a financiar essas obras. A única coisa que se destaca nessa alegação tola e banal é que Haddad não atendeu o pedido do próprio Lula.
6) Por fim há uma alegação de Emílio Odebrecht de que teria pedido a Lula “esclarecimentos” de porque uma medida provisória de interesse da companhia estaria “parada” no gabinete de Mantega. Evidentemente, ele não sabe se Lula cobrou Mantega.

Tudo considerado, digo sem nenhuma paixão política, sinceramente, o que eu concluo sobre as acusações é que:

1) Não há alegação de crime em lugar nenhum.
2) As alegações de Marcelo não tem materialidade nenhuma, e parecem uma acusação forjada sob pressão;
3) Não há qualquer alegação de enriquecimento ilícito de Lula ou de participação em licitações fraudulentas;
4) Os favores que ele teria prestado para a Odebrecht teriam sido basicamente no exterior, o que consiste em ação do máximo interesse nacional;
5) As alegações do diretor sobre os favores prestados a Lula devem ter materialidade e devem ser fáceis de provar;
6) Excetuando a alegação da MP, Lula não era mais funcionário público, então se usou seu prestígio para intermediar os interesses da companhia agiu como lobista, o que é comum entre ex titulares do executivo, sem transgredir a lei;

Por fim, o que concluo das consequências políticas disso é que:

7) A imprensa está colocando no mesmo balaio pedido de doação, lobismo, caixa 2, corrupção e enriquecimento ilícito. Já sabemos que seu objetivo é confundir, não explicar;
8) É por isso que o campo popular não pode se meter no jogo da direita;
9) Se foi difícil explicar isso pra vocês e eu ainda tenho dúvidas, via ser impossível explicar isso ao povo, já a classe média nunca quis entender nada, só quer sangue. Mas temos que tentar fazê-lo, ao menos para a história;
10) Pessoalmente, creio que Lula será condenado. Mas isso aconteceu é quando ele obrigou o PT a aceitar passivamente a primeira condenação de José Dirceu, totalmente sem provas;
11) As ações e presentes de Lula foram legais, mas ele não deveria ter “misturado política com dinheiro”, em outras palavras, feito lobby, porque era evidente que a casa grande ia cobrar a fatura. Sua decisão é humana, compreensível, mas pequena para um homem de sua estatura histórica;
12) Meteram o pau na época da declaração de Ciro à Paulo Moreira Leite . Até eu. Mas de novo, reconheço, Ciro tinha razão.

PS. Penso um tanto diferente do Gustavo, e é bom que isso aconteça, porque, como dizia o velho Leonel Brizola, ruim é sermos todos ovelhinhas bem iguaizinhas. Creio que, sim, o risco judicial é imenso. Mas é o grande risco para Lula, porque o eleitoral pode atropelar toda esta onda, primeiro pela sua estatura histórica, como diz o Gustavo. Segundo, porque o povão olha tudo isso com certo enfado: a cruzada da moralidade só lhe trouxe crise e sacrifícios. (Fernando Brito)